Este post era para ser um comentátio a este post do Box de Séries. Mas eu acabei escrevendo um pouco mais, e no meio-tempo surgiu este post, então decidi trazer a minha opinião para cá.
Sou (ou fui) fã do House desde o primeiro episódio da série. E, mesmo antes da Fox anunciar, eu estava torcendo para que esta temporada fosse a última. Aliás, passou da hora. O que era uma série sobre um médico genial, porém sacana, acabou por tornar-se uma série sobre um médico sacana, eventualmente genial. A saida da Cuddy e a ascenção do Foreman ao cargo dela, foram forçados demais. Afinal, por mais brilhante que seja o médico, ele seria personagem "queimado" por conta de sua tentativa de mudança de emprego, por conta de métodos de trabalho cada vez mans semelhantes aos controversos métodos do House (que, por mais que o Foreman negasse, sempre o influenciou demais). Faria mais sentido que o Wilson fosse nomeado.
E, por falar no Wilson, pobre personagem! De um contraponto ao sacana House, o médico virou, nesta temoporada, apenas um bobalhão...
Aliás, o Wilson não foi o único despersonalizado. De todos os personagens das temporadas anteriores que apareceram nesta temporada, eu diria que a única que manteve consistência foi a Treze. Se não for cedo para falar. Do Taub e do Chase, sobrou apenas o pior. Verdade que o Taub nunca teve muito a oferecer, mesmo assim, ficou ainda mais tosco e caricato...
E as médicas novas, então? A Adams me parece ser uma caricatura da Cameron, mais uma vez apenas de maneira superficial. A Park... A Park, simplesmente é nada. Poderia ser uma caricatura da Masters. É assustada, insegura, medrosa... Mesmo suas opiniões, muitas vezes brilhantes, ficam soterradas por sua timidez, que só serve para acentuar o aspecto "bully" do House.
Resumindo, foi uma grande série. Mas poderia ter acabado, no máximo, no final da sétima temporada. Depois desta oitava temporada sofrível, é até melhor que acabe...
Reflexões e Perda de Tempo
sexta-feira, 20 de abril de 2012
quinta-feira, 22 de março de 2012
Um falso "Manifesto", mas qual o seu real sentido?
Perdi a conta de quantas vezes me foi encaminhado o "manifesto" que reproduzo abaixo:
Peço a cada destinatário para encaminhar este e-mail a um mínimo de vinte pessoas de sua lista de endereços e, por sua vez, pedir que cada um deles faça o mesmo.Nas primeiras vezes que o recebi, simplesmente fiz o que o texto sugere ao seu final, e apaguei tamanho amontoado de tolices. Depois de algumas vezes que o apaguei, concluí que não bastava fazer a minha parte. Comecei a devolver às pessoas que o enviavam a mim com a resposta abaixo:
Em três dias a maioria das pessoas no Brasil terá esta mensagem. Esta é uma idéia que realmente deve ser considerada e repassada para o Povo.
Lei de Reforma do Congresso de 2012 (emenda da Constituição do Brasil):
Se cada pessoa repassar esta mensagem para um mínimo de vinte pessoas, em três dias a maioria das pessoas no Brasil receberá esta mensagem.
- O congressista receberá salário somente durante o mandato. E não terá direito à aposentadoria diferenciada em decorrência do mandato.
- O Congresso contribui para o INSS. Todo o fundo (passado, presente e futuro) atual no fundo de aposentadoria do Congresso passará para o regime do INSS imediatamente. O Congressista participa dos benefícios dentro do regime do INSS exatamente como todos os outros brasileiros. O fundo de aposentadoria não pode ser usado para qualquer outra finalidade.
- O congressista deve pagar para seu plano de aposentadoria, assim como todos os brasileiros.
- O Congresso deixa de votar seu próprio aumento de salário, que será objeto de plebiscito.
- O congressista perde seu seguro atual de saúde e participa do mesmo sistema de saúde como o povo brasileiro.
- O congressista está sujeito às mesmas leis que o povo brasileiro.
- Servir no Congresso é uma honra, não uma carreira. Parlamentares devem servir os seus termos (não mais de 2), depois ir para casa e procurar emprego. Ex-congressista não pode ser um lobista.
- Todos os votos serão obrigatoriamente abertos, permitindo que os eleitores fiscalizem o real desempenho dos congressistas.
A hora para esta emenda na Constituição é AGORA.
É ASSIM QUE VOCÊ PODE CONSERTAR O CONGRESSO. Se você concorda com o exposto, REPASSE, se não, basta apagar.
Você é um dos meus + 20. Por favor, mantenha esta mensagem CIRCULANDO!
"A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria." - Paulo Freire
Eu já recebi inúmeras vezes esta mensagem. Me recuso a repassá-la adiante.
Não porque eu não ache que seja preciso mudar as coisas no Brasil. Mas por ser uma mensagem absolutamente inútil.
Primeiro, mesmo que todos os brasileiros a recebam, isto não faz dela um projeto de iniciativa popular. Existem regras para a apresentação de projetos de iniciativa popular. E este e-mail não as cumpre.
Segundo, um projeto de emenda constitucional deveria ser feito com o texto adequado a uma lei, e não apenas um amontoado de sugestões, boa parte sem ligações reais entre elas.
Terceiro, boa parte dos brasileiros possui plano de saúde adicional ao serviço público. E, destes, muitos pagos, total ou parcialmente, pelas empresas. Devemos, sim, lutar por melhores condições de saúde. Mas de maneira realista e coerente.
Quarto, concordo que os congressistas não deveriam ter o poder de aumentar os próprios salários, muito menos o de criarem novas verbas. Mas, plebiscito? Duvido que o autor desta pérola tenha a menor ideia dos custos do plebiscito. Seguramente não valeria a pena.
Limitar mandatos consecutivos, obrigatoriedade do voto aberto, concordo. Mas fazendo a proposta corretamente.
No dia que eu vir projetos de emenda constitucional (sim, mais de um, na verdade) corretamente elaborados para tratar destes assuntos, assinarei e divulgarei. Mas não repasso esta tolice.
A propósito, não se sinta mal. Esta é uma resposta-padrão, que tenho mandado a todos que me enviam esta proposta. Absolutamente nada pessoal com você.
Enio
Para mim, fica bem claro que, da mesma forma que os antigos e-mails sobre a garotinha com câncer, ou o novo e terrível vírus, a distribuição de celulares, a mamografia gratuita e tantas outras. Por mais que existam diversos sites na rede que denunciam estas falsas mensagens, as pessoas parecem não aprender. Mudou um pouquinho de nada a mensagem, e lá estão todos a retransmitindo, novamente. Infelizmente, demonstra-se muitas vezes que basta "mudar a cor do capim", e lá estão as mesmas mensagens sendo repassadas.
Não consigo compreender a razão que impede as pessoas de perderem cinco míseros minutos para tentarem saber a origem do que estão repassando. Ou a veracidade da informação. Por favor, você que me lê, antes de sair repassando algum e-mail, faça uma rápida consulta a sites como o Quatro Cantos, ou o E-Farsas, entre outros. Isto para não pedir que se faça uma pesquisa mais completa, como ligar para telefones indicados, ou entrar na página do órgão informado, por exemplo.
Reconhecer um e-mail de boato, na maioria das vezes, é fácil. Algumas "regras" geralmente estão presentes:
Infelizmente, é muito mais fácil para o leitor apenas repassar um e-mail do que tentar tomar alguma atitude mais participativa. O simples ato de repassar um e-mail não colabora em nada com o fim de situações como esta.
Lutas reais não faltam. É raro o dia que não recebo um e-mail do Avaaz, defendendo alguma causa real. Tem muitas outras ONGs e movimentos reais dos quais se pode participar, como SOS Mata Atlântica, Movimento Gota D'Água, Movimento pela Reabertura e Tombamento do Cine Belas Artes, e tantos outros. Independente de orientação política e/ou partidária, é possível encontrar movimentos e causas para se engajar. Reais. Válidos. Sem precisar divulgar boatos.
Reconhecer um e-mail de boato, na maioria das vezes, é fácil. Algumas "regras" geralmente estão presentes:
- Trechos do texto em letras maiúsculas, para chamar a atenção;
- Assunto polêmico ou capaz de causar indignação para a maioria das pessoas;
- Informações vagas e imprecisas;
- Falta de identificação do autor;
- Pedido para que todos repassem o máximo possível.
Infelizmente, é muito mais fácil para o leitor apenas repassar um e-mail do que tentar tomar alguma atitude mais participativa. O simples ato de repassar um e-mail não colabora em nada com o fim de situações como esta.
Lutas reais não faltam. É raro o dia que não recebo um e-mail do Avaaz, defendendo alguma causa real. Tem muitas outras ONGs e movimentos reais dos quais se pode participar, como SOS Mata Atlântica, Movimento Gota D'Água, Movimento pela Reabertura e Tombamento do Cine Belas Artes, e tantos outros. Independente de orientação política e/ou partidária, é possível encontrar movimentos e causas para se engajar. Reais. Válidos. Sem precisar divulgar boatos.
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terça-feira, 20 de março de 2012
Sobre a Folha de São Paulo e a automedicação
Enviei hoje o seguinte comentário ao blog "Conversa Afiada", do Paulo Henrique Amorim, que tenho acompanhado regularmente:
Não me preocupei em falar dos riscos da automedicação e do livre acesso aos medicamentos. Por limitação de espaço (e, mesmo assim, não sei se o comentário, por ser mais longo que o normalmente aceito, será publicado), e por considerar que não seria, aquele, o fórum adequado para tratar do assunto. Aqui, neste meu espaço, posso discorrer mais livremente a respeito.
Não citei, no comentário, trechos do artigo de Maria Cristina Frias. Cito-os aqui:
A conjunção dos dois artigos, para mim, demonstra uma lógica perigosa: devemos deixar as pessoas se automedicarem, o que vai diminuir as filas e custos com o SUS, ao mesmo tempo que diminui os custos dos planos de saúde. Apenas a "lógica de mercado", sem levar em conta, minimamente, a real questão de saúde pública. Sem levar em conta que o uso de medicamentos sem a adequada orientação pode causar problemas ainda piores do que os que se procura evitar. Sem sequer citar a necessidade de um amplo debate sobre o assunto, do qual pudesse sair clara e fortalecida a posição da ANVISA. Ou que, mesmo prevalecendo apenas a lógica do lucro para a indústria farmacêutica e para os planos de saúde, para nos restringirmos aos agentes diretamente citados nos artigos (Alguém acredita em repasse desses lucros à sociedade?), que ficasse claro que o desejo por esta lógica é realmente o desejo da sociedade.
Hoje a Folha, através de um de seus colunistas, Hélio Schwartsman, publica um texto denominado “Viva a automedicação“, uma ode em defesa dos interesses da indústria farmacêutica ao mesmo tempo em que, de maneira quase sutil, critica algumas corajosas medidas tomadas pela ANVISA nos últimos anos. Cito abaixo algumas de suas pérolas:
“… Foi o que ocorreu com a automedicação, que, de uns anos para cá, se viu transformada em inimiga da saúde pública, inspirando uma série de decisões da Anvisa … Só o que não faz sentido é demonizar a automedicação… A OMS, por exemplo, a descreve como “necessária” e com função complementar a todo sistema de saúde.
De fato, a última coisa de que o SUS precisa é agregar às filas dos serviços médicos todos os portadores de quadros virais menores e dores de cabeça do país. A esmagadora maioria das moléstias que acometem a humanidade passa sozinha, não exigindo mais do que o alívio dos sintomas…”
Em paralelo, na seção “Mercado Aberto”, Maria Cristina Frias diz que “Sem tratamento, gasto com remédio pode subir 481%“.
Sou favorável às ações tomadas pela ANVISA no sentido de moralizar a venda de medicamentos no país, apoiada, também, pelo Conselho Federal de Farmácia, e consonante com o que se faz em muitos outros países. Claro, não resolvem os problemas da saúde pública. Mas são um primeiro passo no sentido da moralização do setor. Lamentável esta posição da Folha.
Não me preocupei em falar dos riscos da automedicação e do livre acesso aos medicamentos. Por limitação de espaço (e, mesmo assim, não sei se o comentário, por ser mais longo que o normalmente aceito, será publicado), e por considerar que não seria, aquele, o fórum adequado para tratar do assunto. Aqui, neste meu espaço, posso discorrer mais livremente a respeito.
Não citei, no comentário, trechos do artigo de Maria Cristina Frias. Cito-os aqui:
"Os gastos com remédios para tratar doenças crônicas acumuladas podem subir 481% se o paciente não fizer tratamento adequado.O efeito, que pode impactar os resultados de planos e operadoras de saúde ...A comparação é feita entre um doente crônico que possui apenas uma enfermidade e aquele que acumula outras pela falta de tratamento ...'Esse é um assunto que o setor tem estudado muito, mas há pouca conclusão. A pressão sobre os planos de saúde de fato se reduz com o tratamento adequado. Isso gera queda em gastos com internação e entradas em pronto-socorro'..."
A conjunção dos dois artigos, para mim, demonstra uma lógica perigosa: devemos deixar as pessoas se automedicarem, o que vai diminuir as filas e custos com o SUS, ao mesmo tempo que diminui os custos dos planos de saúde. Apenas a "lógica de mercado", sem levar em conta, minimamente, a real questão de saúde pública. Sem levar em conta que o uso de medicamentos sem a adequada orientação pode causar problemas ainda piores do que os que se procura evitar. Sem sequer citar a necessidade de um amplo debate sobre o assunto, do qual pudesse sair clara e fortalecida a posição da ANVISA. Ou que, mesmo prevalecendo apenas a lógica do lucro para a indústria farmacêutica e para os planos de saúde, para nos restringirmos aos agentes diretamente citados nos artigos (Alguém acredita em repasse desses lucros à sociedade?), que ficasse claro que o desejo por esta lógica é realmente o desejo da sociedade.
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Menos, Michel Teló, menos!!!!
Começo este post com uma ressalva: Eu
não tenho NADA contra a música da qual falarei. Pelo contrário, acho-a
gostosinha de ouvir. Não é um primor de composição, mas diverte.
Feita
a ressalva, quero citar um texto que li hoje. Vai abaixo em uma
tradução assumidamente meia-boca, de minha autoria. O texto original
pode ser lido aqui. Vamos ao texto:
Uau, eu nem sabia que existia uma versão oficial em Inglês para a canção! Aparentemente, foi lançada no início de 2012, e esta semana o cantor brasileiro Michel Teló estreou o vídeo da música "If I catch you" (a versão em inglês de seu sucesso global "Ai Se Eu Te Pego"). A música original em português (com a qual eu ainda estou obcecado) continua detonando na Europa, América Latina e nos Top 10s do iTunes (clique aqui para ver a prova). Mas, menino, esta versão "If I catch you" é uma bagunça. A letra é uma piada de mau gosto, ("wow, wow, oh meu deus, deliciosa!" XDD ... Você simplesmente não pode ter letras como esta em canções em inglês), que soa quase como Michel dizendo 'pikachu', e sua sotaque é terrível. Uma enorme, enorme bagunça. Qual é o sentido disto, de qualquer maneira? Será que ele realmente acha que ele vai estourar em mercados como o Reino Unido, Austrália ou os EUA com esta tortura "If I catch you"?Eu não tenho a menor ideia do nível de conhecimento de português do autor do texto. Arrisco dizer que pouco, ou nenhum, pois com um mínimo de conhecimento, ele perceberia que a "versão em inglês" algo como usar o Google tradutor sobre a letra. E, mesmo o Google, não dá uma tradução exatamente assim.
Michel já é uma grande estrela internacional, e não deveria mexer com a perfeição do original "Ai Se Eu Te Pego", e cantando em português é, obviamente, seu único modo real. Como vídeo musical, eu gostei. Muito melhor do que o vídeo barato original. Quero dizer, ainda é barato, mas pelo menos captura melhor o sentimento de verão da canção. O vídeo de "If I catch you" foi dirigido por Junior Jacques, filmado em uma praia paradisíaca em Porto Belo - Santa Catarina, Brasil, e apresenta centenas de garotas sensuais em biquínis dançando a melodia contagiante da música em seus iates, enquanto Michel Telo se apresenta para elas em um palco no centro.
Eu concordo com o autor do texto. Michel Teló não precisava ter feito isto.
Tudo bem, não é a primeira e nem a última música brasileira vertida para o inglês. Muita gente já fez isto. "Girl from Ipanema", a versão, é simplesmente a música brasileira mais executada da história (e uma das músicas mais executadas do mundo, também). Até hoje.
Se fosse tão imperativo assim ter uma versão em inglês de sua música - e eu questiono esta necessidade - Michel Teló poderia ter partido para uma solução mais adequada: uma adaptação da letra para o inglês, e não apenas uma tradução. Ou tentativa de tradução. Novamente citando, para comparação: a letra em inglês de "Garota de Ipanema" é completamente diferente da letra em português. Mas, mesmo assim, guarda o sentido original da música.
Michel Teló poderia ter feito o mesmo. Aliás, exatamente como tantos outros artistas fizeram, ao redor do mundo, criando versões para a própria "Ai se te pego". E poderia ter investido um pouco mais no cuidado com o sotaque, para que não visse publicados sobre ele comentários como o acima.
Mas, será que ele se importa? Ou já se conformou em ser um sucesso descartável, tentando conseguir o máximo enquanto pode?
Preferia que se importasse. E tentasse fazer uma carreira mais sólida...
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sábado, 26 de fevereiro de 2011
Assista. E ajude.
Não sei se ainda está valendo. Mas não custa tentar.
Segundo a descrição do vídeo no Youtube, a National Geographic vai doar 10cents para cada visualização, até um limite de 100mil dólares, para projetos de preservação dos leões. Então não custa nada assistirmos, de preferência mais de uma vez...
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Fazendo contas
Estava ontem no supermercado, aguardando o momento de pagar as minhas compras quando percebi uma cena, logo atrás de mim, que me chamou a atenção:
Em um casal de amigos, a moça esforçava-se para somar de cabeça três ou quatro itens que havia pego, para saber se tinha dinheiro suficiente para pagá-los. Depois de algum tempo, desistiu, e comentou ao rapaz que estava com ela que "sempre teve dificuldades com matemática". O rapaz disse que também tinha muita dificuldade, e ela perguntou como, se ele trabalhava com números o dia todo. A resposta dele foi que trabalha, sim, com números, mas "informando os valores que constam no sistema, não preciso fazer contas".
Paguei minhas compras e saí, sem saber como continuou este diálogo, mas ele me fez pensar. Antes de mais nada, me lembrou de um trecho da peça "A Lição", de Eugene Ionesco:
Em um casal de amigos, a moça esforçava-se para somar de cabeça três ou quatro itens que havia pego, para saber se tinha dinheiro suficiente para pagá-los. Depois de algum tempo, desistiu, e comentou ao rapaz que estava com ela que "sempre teve dificuldades com matemática". O rapaz disse que também tinha muita dificuldade, e ela perguntou como, se ele trabalhava com números o dia todo. A resposta dele foi que trabalha, sim, com números, mas "informando os valores que constam no sistema, não preciso fazer contas".
Paguei minhas compras e saí, sem saber como continuou este diálogo, mas ele me fez pensar. Antes de mais nada, me lembrou de um trecho da peça "A Lição", de Eugene Ionesco:
PROFESSOR : Ouça-me, senhorita, se você não chegar a compreender profundamente esses princípios, esses arquétipos aritméticos, você jamais poderá fazer corretamente um trabalho politécnico. E muito menos poderão encarrega-la de um curso na Escola Politécnica... nem no maternal superior. Eu reconheço que não é fácil, é muito, muito abstrato... evidentemente... mas como a senhorita poderá chegar, antes de ter aprofundado os primeiros elementos, a calcular mentalmente quanto dá, e isso é o mínimo para um engenheiro médio, quanto dá, por exemplo, três bilhões, setecentos e cinqüenta e cinco milhões, novecentos e noventa e oito mil, duzentos e cinqüenta e um multiplicados por cinco bilhões, cento e sessenta e dois milhões, trezentos e três mil, quinhentos e oito?ALUNA (Muito depressa) Dá dezenove quintilhões, trezentos e noventa quatrilhões, dois trilhões, cento e quarenta e quatro bilhões, duzentos e dezenove milhões cento e sessenta e quatro mil,quinhentos e oito.
PROFESSOR (espantado) : Não. Creio que não. Dá dezenove quintilhões, trezentos e noventa quatrilhões, dois trilhões, cento e quarenta e quatro bilhões, duzentos e dezenove milhões cento e sessenta e quatro mil, quinhentos e oito.
ALUNA: Não, quinhentos e oito!
PROFESSOR (ainda mais espantado, calcula mentalmente) Sim, você tem razão. O produto é ... (murmurando) quintilhões, quatrilhões, trilhões, bilhões, milhões (distintamente) cento e sessenta e quatro mil quinhentos e oito. (estupefato) Mas como você acertou, se não sabe os princípios do raciocínio aritmético?
ALUNA : É simples. Não podendo confiar em meu raciocínio, eu decorei todos os resultados possíveis de todas as multiplicações possíveis!
A peça mostra uma situação absurda. Bem ao estilo de Ionesco. Mas absurda até que ponto? Não gostar de matemática é a regra das pessoas no Brasil, talvez no mundo todo.
Não deveria ser assim. Afinal, é algo que, queiramos ou não, está presente no nosso dia-a-dia, na natureza e em tudo que nos cerca. Pitágoras já demonstrou isto 500 anos antes de Cristo. O que leva as pessoas, 2500 anos depois, a continuarem com tanta aversão ao assunto?
Eu tenho a minha resposta. Pode não ser a certa, mas eu acho que explica, ao menos em parte. No próprio trecho da peça que eu citei acima, a minha resposta está presente, ainda que de maneira absurda: a aluna, sabando de suas dificuldades, decorou "todos os resultados possíveis de todas as multiplicações possíveis".
E, no fundo, é assim que aprendemos não só matemática, mas a maioria dos assuntos vistos na escola: decorando. Quem nunca passou horas de desespero tentando decorar as tabuadas para fazer alguma prova? Tudo bem, não vou dizer que ter decorado as tabuadas não tenha facilitado a vida. Mas, ao mesmo tempo, transforma as multiplicações e divisões em alguma coisa abstrata e misteriosa, e não simplesmente uma sequência de adições e subtrações.
Matemática exige raciocínio. E não apenas matemática. História e geografia, se ensinadas de modo coordenado, raciocinado, são mais fáceis de se compreender do que decorando-se fatos, datas e acidentes geográficos. Mesmo a língua, nativa ou estrangeira, seria mais fácil de ser ensinada se a razão de ser das regras gramaticais fosse aprendida, e não apenas as regras decoradas.
Só que raciocinar é uma atividade perigosa. As pessoas podem começar com a matemática, e gostar da coisa. E raciocinar sobre o mundo que as cerca. E sobre os absurdos que somos obrigados a ouvir e aceitar como "naturais" todos os dias. Pior, pode-se começar a pensar sobre coisas que estejam erradas na própria vida. E, pensando-se nelas, elas começam a incomodar cada vez mais, forçando alguma mudança de atitude. E esta mudança também não é nada fácil. Claro, depois das mudanças de atitude, é normal que se perceba como a vida melhorou, e como aquela atitude deveria ter sido tomada muito antes.
Eu mesmo, tenho passado por todo este processo, em fase de mudanças, tanto na vida pessoal como na profissional. Se eu disser que tudo é fácil e maravilhoso, claro que vou estar mentindo. Mas os aspectos positivos são cada vez mais facilmente perceptíveis.
Eu gosto de matemática. E gosto de pensar. E aprendi a pensar sobre mim mesmo. Agora, não quero parar.
Não deveria ser assim. Afinal, é algo que, queiramos ou não, está presente no nosso dia-a-dia, na natureza e em tudo que nos cerca. Pitágoras já demonstrou isto 500 anos antes de Cristo. O que leva as pessoas, 2500 anos depois, a continuarem com tanta aversão ao assunto?
Eu tenho a minha resposta. Pode não ser a certa, mas eu acho que explica, ao menos em parte. No próprio trecho da peça que eu citei acima, a minha resposta está presente, ainda que de maneira absurda: a aluna, sabando de suas dificuldades, decorou "todos os resultados possíveis de todas as multiplicações possíveis".
E, no fundo, é assim que aprendemos não só matemática, mas a maioria dos assuntos vistos na escola: decorando. Quem nunca passou horas de desespero tentando decorar as tabuadas para fazer alguma prova? Tudo bem, não vou dizer que ter decorado as tabuadas não tenha facilitado a vida. Mas, ao mesmo tempo, transforma as multiplicações e divisões em alguma coisa abstrata e misteriosa, e não simplesmente uma sequência de adições e subtrações.
Matemática exige raciocínio. E não apenas matemática. História e geografia, se ensinadas de modo coordenado, raciocinado, são mais fáceis de se compreender do que decorando-se fatos, datas e acidentes geográficos. Mesmo a língua, nativa ou estrangeira, seria mais fácil de ser ensinada se a razão de ser das regras gramaticais fosse aprendida, e não apenas as regras decoradas.
Só que raciocinar é uma atividade perigosa. As pessoas podem começar com a matemática, e gostar da coisa. E raciocinar sobre o mundo que as cerca. E sobre os absurdos que somos obrigados a ouvir e aceitar como "naturais" todos os dias. Pior, pode-se começar a pensar sobre coisas que estejam erradas na própria vida. E, pensando-se nelas, elas começam a incomodar cada vez mais, forçando alguma mudança de atitude. E esta mudança também não é nada fácil. Claro, depois das mudanças de atitude, é normal que se perceba como a vida melhorou, e como aquela atitude deveria ter sido tomada muito antes.
Eu mesmo, tenho passado por todo este processo, em fase de mudanças, tanto na vida pessoal como na profissional. Se eu disser que tudo é fácil e maravilhoso, claro que vou estar mentindo. Mas os aspectos positivos são cada vez mais facilmente perceptíveis.
Eu gosto de matemática. E gosto de pensar. E aprendi a pensar sobre mim mesmo. Agora, não quero parar.
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sábado, 18 de dezembro de 2010
Natal
Natal, tempo de alegrias?
Natal, tempo de festejar?
Natal, tempo de paz e amor?
Ou Natal, tempo de incertezas?
Não sei.
Para mim, o natal nunca foi exatamente uma comemoração à qual eu desse a maior das importâncias. Certamente, porque aprendi com meu pai que o natal, atualmente, é puro comércio. Perdeu todo o seu significado.
Meu pai achava que não é preciso ser natal ou aniversário para se dar presente, presente a gente dá quando pode e tem vontade, independente da data.
Eu gostava, admito, quando a família se reunia na casa da minha avó, tipica reunião de italianos, com muita comida e conversas altas. E com meus primos de São Paulo, com quem eu gostava muito de encontrar.
Mas era só isto. Muitas vezes, nem isto. E não morri por causa disto.
Casei, vieram os filhos. E, mesmo sem dar tanta importância assim à festa, nos últimos 25 anos, procurei ao menos fingir que a dava. Por eles. E pela mãe deles.
Hoje, porém, as circunstâncias são outras. Os filhos cresceram. Eu não moro mais lá com eles. Existe razão para fingir?
Creio que não. Creio que é o momento de ter o MEU momento. Sem hipocrisia. Sem tentar agradar a ninguém. Mas em paz comigo mesmo.
Talvez o natal não seja mais tão importante para os meus filhos, também, como sempre foi. Afinal, eles cresceram. Certamente não acreditam mais em Papai Noel, e já há muitos anos sabem que era eu que me fantasiava. Talvez já nos últimos anos, a mãe deles tenha exagerado na importância, apenas, numa tentativa de manter o "Status Quo". Talvez seja hora de vôo solo, para todos nós.
Não sei se é isto, ou se não é. E não sei se quero saber.
Natal, tempo de alegrias? Tomara que seja! Se não for, tudo bem. Eu estou preparado.
Natal, tempo de festejar? Festejar, festeja-se. Para festas não são obrigatórios os motivos.
Natal, tempo de paz e amor? Bem, ao menos da minha parte, não vou me fechar para nada e para ninguém. Mas também não vou implorar migalhas.
Ou Natal, tempo de incertezas? Com certeza.
Mas a vida continua. E, se o natal é incerto, no Ano Novo, vida nova. Ainda que a "vida nova" já tenha começado há alguns meses.
De resto, a todos os meus leitores, eu desejo que não se deixem contaminar pelas minhas incertezas e melancolia, que tenham um maravilhoso natal e um excelente ano de 2011.
Natal, tempo de festejar?
Natal, tempo de paz e amor?
Ou Natal, tempo de incertezas?
Não sei.
Para mim, o natal nunca foi exatamente uma comemoração à qual eu desse a maior das importâncias. Certamente, porque aprendi com meu pai que o natal, atualmente, é puro comércio. Perdeu todo o seu significado.
Meu pai achava que não é preciso ser natal ou aniversário para se dar presente, presente a gente dá quando pode e tem vontade, independente da data.
Eu gostava, admito, quando a família se reunia na casa da minha avó, tipica reunião de italianos, com muita comida e conversas altas. E com meus primos de São Paulo, com quem eu gostava muito de encontrar.
Mas era só isto. Muitas vezes, nem isto. E não morri por causa disto.
Casei, vieram os filhos. E, mesmo sem dar tanta importância assim à festa, nos últimos 25 anos, procurei ao menos fingir que a dava. Por eles. E pela mãe deles.
Hoje, porém, as circunstâncias são outras. Os filhos cresceram. Eu não moro mais lá com eles. Existe razão para fingir?
Creio que não. Creio que é o momento de ter o MEU momento. Sem hipocrisia. Sem tentar agradar a ninguém. Mas em paz comigo mesmo.
Talvez o natal não seja mais tão importante para os meus filhos, também, como sempre foi. Afinal, eles cresceram. Certamente não acreditam mais em Papai Noel, e já há muitos anos sabem que era eu que me fantasiava. Talvez já nos últimos anos, a mãe deles tenha exagerado na importância, apenas, numa tentativa de manter o "Status Quo". Talvez seja hora de vôo solo, para todos nós.
Não sei se é isto, ou se não é. E não sei se quero saber.
Natal, tempo de alegrias? Tomara que seja! Se não for, tudo bem. Eu estou preparado.
Natal, tempo de festejar? Festejar, festeja-se. Para festas não são obrigatórios os motivos.
Natal, tempo de paz e amor? Bem, ao menos da minha parte, não vou me fechar para nada e para ninguém. Mas também não vou implorar migalhas.
Ou Natal, tempo de incertezas? Com certeza.
Mas a vida continua. E, se o natal é incerto, no Ano Novo, vida nova. Ainda que a "vida nova" já tenha começado há alguns meses.
De resto, a todos os meus leitores, eu desejo que não se deixem contaminar pelas minhas incertezas e melancolia, que tenham um maravilhoso natal e um excelente ano de 2011.
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Decisão polêmica, mas acertada
Sei que é notícia já velha, pois a resolução foi publicada na quinta, dia 28.
A ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou uma resolução onde torna os medicamentos antibióticos sujeitos a controle especial. A medida entra em vigor no dia 28 de novembro, 30 dias após sua publicação. E tem meu total apoio.
Há alguns anos, foi encaminhado ao Congresso Nacional um projeto de lei que reformulava totalmente o funcionamento das chamadas farmácias públicas, os estabelecimentos de venda de medicamentos que todos nós conhecemos. De acordo com a proposta, estas passariam a ser estabelecimentos dedicados muito mais à preservação e recuperação da saúde do que ao lucro puro e simples. Claro, este projeto não foi aprovado. Sequer sei se foi votado. Mas aos poucos, a Agência está implementando, através de resoluções, cada uma de suas propostas.
Esta mais recente, tem seus aspectos positivos, embora possua problemas que certamente serão apresentados como argumentos contra. O primeiro e mais importante aspecto positivo, ao meu ver, é o dificultar a auto-medicação. Outro aspecto importante é que os antibióticos passem a ser utilizados quando de fato necessários, e não como primeira (e, na maioria das vezes errada) escolha em qualquer tratamento. Além disto, diminui-se o risco de resistência de bactérias a antibióticos por conta de utilizações indevidas.
Claro, existe o problema da dificuldade de acesso a médicos de boa parte da população. A resposta correta a este problema é a ampliação dos serviços de saúde pública, e não a auto-medicação. Talvez seja mesmo, infelizmente, necessária uma crise, para que as nossas autoridades tomem consciência de que programas efetivos de saúde são uma necessidade real, e não apenas um bom tema para promessas eleitoreiras.
Ainda acho que existe muita coisa a ser feita. Na minha opinião, todos os medicamentos sujeitos a prescrição médica deveriam ser controlados, de modo que não fosse possível serem vendidos indiscriminadamente. O fracionamento deveria ser obrigatório, e não opcional, como foi tentado há algum tempo e não deu certo.
Explicando: fracionamento é quando o médico prescreve um tratamento por um determinado número de dias e, no momento do paciente comprar o remédio, o profissional da farmácia separa em um frasco exatamente a quantidade prescrita pelo médico. Sem sobrar ou faltar. Hoje, no Brasil, os medicamentos são vendidos em caixas lacradas, com uma quantidade que nunca é adequada ao tratamento correto. Geralmente falta o necessário para um ou dois dias, obrigando à compra de uma segunda caixa, com consequente sobra e, claro, provável utilização posterior incorreta. Ou um subtratamento, que só vai contribuir para aumentar a resistência bacteriana, no caso dos antibióticos.
Em diversos países do mundo, isto não existe mais. É vendida a quantidade prescrita, usualmente a adequada para o correto tratamento. Sem perdas para a saúde ou perda de dinheiro para o paciente. Apenas com menor lucro para a indústria farmacêutica. Mas ainda assim, não sendo uma redução que a vai matar. E, mais importante, funciona, sendo desta maneira.
Hoje caminhamos um pouco mais para uma situação mais adequada, em termos de tratamento de inecções. Ainda falta muito. Mas esta medida me torna um pouco mais otimista.
A ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou uma resolução onde torna os medicamentos antibióticos sujeitos a controle especial. A medida entra em vigor no dia 28 de novembro, 30 dias após sua publicação. E tem meu total apoio.
Há alguns anos, foi encaminhado ao Congresso Nacional um projeto de lei que reformulava totalmente o funcionamento das chamadas farmácias públicas, os estabelecimentos de venda de medicamentos que todos nós conhecemos. De acordo com a proposta, estas passariam a ser estabelecimentos dedicados muito mais à preservação e recuperação da saúde do que ao lucro puro e simples. Claro, este projeto não foi aprovado. Sequer sei se foi votado. Mas aos poucos, a Agência está implementando, através de resoluções, cada uma de suas propostas.
Esta mais recente, tem seus aspectos positivos, embora possua problemas que certamente serão apresentados como argumentos contra. O primeiro e mais importante aspecto positivo, ao meu ver, é o dificultar a auto-medicação. Outro aspecto importante é que os antibióticos passem a ser utilizados quando de fato necessários, e não como primeira (e, na maioria das vezes errada) escolha em qualquer tratamento. Além disto, diminui-se o risco de resistência de bactérias a antibióticos por conta de utilizações indevidas.
Claro, existe o problema da dificuldade de acesso a médicos de boa parte da população. A resposta correta a este problema é a ampliação dos serviços de saúde pública, e não a auto-medicação. Talvez seja mesmo, infelizmente, necessária uma crise, para que as nossas autoridades tomem consciência de que programas efetivos de saúde são uma necessidade real, e não apenas um bom tema para promessas eleitoreiras.
Ainda acho que existe muita coisa a ser feita. Na minha opinião, todos os medicamentos sujeitos a prescrição médica deveriam ser controlados, de modo que não fosse possível serem vendidos indiscriminadamente. O fracionamento deveria ser obrigatório, e não opcional, como foi tentado há algum tempo e não deu certo.
Explicando: fracionamento é quando o médico prescreve um tratamento por um determinado número de dias e, no momento do paciente comprar o remédio, o profissional da farmácia separa em um frasco exatamente a quantidade prescrita pelo médico. Sem sobrar ou faltar. Hoje, no Brasil, os medicamentos são vendidos em caixas lacradas, com uma quantidade que nunca é adequada ao tratamento correto. Geralmente falta o necessário para um ou dois dias, obrigando à compra de uma segunda caixa, com consequente sobra e, claro, provável utilização posterior incorreta. Ou um subtratamento, que só vai contribuir para aumentar a resistência bacteriana, no caso dos antibióticos.
Em diversos países do mundo, isto não existe mais. É vendida a quantidade prescrita, usualmente a adequada para o correto tratamento. Sem perdas para a saúde ou perda de dinheiro para o paciente. Apenas com menor lucro para a indústria farmacêutica. Mas ainda assim, não sendo uma redução que a vai matar. E, mais importante, funciona, sendo desta maneira.
Hoje caminhamos um pouco mais para uma situação mais adequada, em termos de tratamento de inecções. Ainda falta muito. Mas esta medida me torna um pouco mais otimista.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Blog Action Day: Água, questão de cidadania
A água é uma das substâncias mais abundantes em nosso planeta. Mais de 60% da superfície terrestre encontra-se coberta por água. No entanto, menos de 3% deste volume é de água doce e, para piorar, esta está concentrada em geleiras (geleiras polares e neves das montanhas), de modo que a porcentagem de água doce disponível para as atividades humanas é ínfima.
A água é, também, imprescindível à sobrevivência de todos nós, animais, plantas e animais que se acham melhores que os ditos "irracionais". Embora as variações individuais sejam grandes, e outros fatores devam ser considerados, estima-se que uma pessoa possa sobreviver a até oito semanas sem comida, a depender de seu grau anterior de desnutrição. Entretanto, mesmo os seres humanos mais saudáveis seriam incapazes de sobreviver mais de uma semana sem água.
Junte-se a este fato a informação de que apenas 9% da água potável disponível destina-se ao consumo humano direto, sendo cerca de 69% destinada para a agricultura e 22% para as indústrias, e temos um grande problema, que fica ainda maior se levamos em conta a poluição.
Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. Um bilhão e 200 milhões de pessoas (35% da população mundial) não têm acesso a água tratada. Um bilhão e 800 milhões de pessoas (43% da população mundial) não contam com serviços adequados de saneamento básico. Diante desses dados, temos a triste constatação de que dez milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças intestinais transmitidas pela água.
Em regiões onde a situação de falta d'água já atinge índices críticos de disponibilidade, como nos países
do Continente Africano, onde a média de consumo de água por pessoa é de dez a quinze litros/pessoa. Já em Nova York, há um consumo exagerado de água doce tratada e potável, onde um cidadão chega a gastar dois mil litros/dia.
A poluição altera as propriedades físico-químicas da água, encarecendo ou, muitas vezes, inviabilizando seu tratamento.
De acordo com os números apresentados pela ONU - Organização das Nações Unidas - fica claro que controlar o uso da água significa deter poder. Cite-se como exemplo o controle do Rio Jordão, uma das questões que está por trás da disputa dos territórios da Faixa de Gaza.
O Brasil é um país privilegiado com relação à disponibilidade de água, com 53% do manancial de água doce disponível na América do Sul e perfil climático climas que proporciona elevados índices pluviométricos. No entanto, mesmo com grande disponibilidade de recursos hídricos, o país sofre com a escassez de água potável em alguns lugares. A água doce disponível em território brasileiro está irregularmente distribuída: aproximadamente, 72% dos mananciais estão presentes na região amazônica, restando 27% na região Centro-Sul e apenas 1% na região Nordeste do país.
Somando-se todos estes fatores, é fácil concluirmos que o consumo consciente e responsável de água, bem como o estabelecimento de políticas que permitam o acesso de parcelas maiores da população à água potável e tratada, são essenciais para a redução de importantes fatores de doenças populacionais, o que diminuiria violentamente os custos com saúde pública. Além de garantir que as gerações futuras possam ter, também, condições de sobrevivência. Assim, por menor que seja o gesto que cada um de nós pratique, ja é um ato de cidadania.
As possíveis atitudes para reduzir o desperdício de água são bem conhecidas de todos, mas não custa serem relembradas:
- Melhor armazenamento e aproveitamento das águas da chuva;
- Fechar a torneira enquanto escovamos os dentes ou nos ensaboamos, no banho;
- Reciclar papel: Sua produção consome muito mais água que sua reciclagem;
- Consertar vazamentos e torneiras pingando;
- Reduzir o desperdício doméstico de água potável e o consumo individual;
- Procurar utilizar detergentes e produtos de limpeza que diminuam a poluição do meio ambiente (biodegradáveis);
- Evitar o despejo de óleo no sistema de esgotos: o óleo de cozinha tem grande capacidade poluente, e pode ser reciclado.
Não são medidas impossíveis de cada um de nós tomar. E, cada um fazendo sua parte, na soma dos esforços teremos uma economia capaz de garantir que este recurso não se esgote em tão pouco tempo.
A água é, também, imprescindível à sobrevivência de todos nós, animais, plantas e animais que se acham melhores que os ditos "irracionais". Embora as variações individuais sejam grandes, e outros fatores devam ser considerados, estima-se que uma pessoa possa sobreviver a até oito semanas sem comida, a depender de seu grau anterior de desnutrição. Entretanto, mesmo os seres humanos mais saudáveis seriam incapazes de sobreviver mais de uma semana sem água.
Junte-se a este fato a informação de que apenas 9% da água potável disponível destina-se ao consumo humano direto, sendo cerca de 69% destinada para a agricultura e 22% para as indústrias, e temos um grande problema, que fica ainda maior se levamos em conta a poluição.
Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. Um bilhão e 200 milhões de pessoas (35% da população mundial) não têm acesso a água tratada. Um bilhão e 800 milhões de pessoas (43% da população mundial) não contam com serviços adequados de saneamento básico. Diante desses dados, temos a triste constatação de que dez milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças intestinais transmitidas pela água.
Em regiões onde a situação de falta d'água já atinge índices críticos de disponibilidade, como nos países
do Continente Africano, onde a média de consumo de água por pessoa é de dez a quinze litros/pessoa. Já em Nova York, há um consumo exagerado de água doce tratada e potável, onde um cidadão chega a gastar dois mil litros/dia.
A poluição altera as propriedades físico-químicas da água, encarecendo ou, muitas vezes, inviabilizando seu tratamento.
De acordo com os números apresentados pela ONU - Organização das Nações Unidas - fica claro que controlar o uso da água significa deter poder. Cite-se como exemplo o controle do Rio Jordão, uma das questões que está por trás da disputa dos territórios da Faixa de Gaza.
O Brasil é um país privilegiado com relação à disponibilidade de água, com 53% do manancial de água doce disponível na América do Sul e perfil climático climas que proporciona elevados índices pluviométricos. No entanto, mesmo com grande disponibilidade de recursos hídricos, o país sofre com a escassez de água potável em alguns lugares. A água doce disponível em território brasileiro está irregularmente distribuída: aproximadamente, 72% dos mananciais estão presentes na região amazônica, restando 27% na região Centro-Sul e apenas 1% na região Nordeste do país.
Somando-se todos estes fatores, é fácil concluirmos que o consumo consciente e responsável de água, bem como o estabelecimento de políticas que permitam o acesso de parcelas maiores da população à água potável e tratada, são essenciais para a redução de importantes fatores de doenças populacionais, o que diminuiria violentamente os custos com saúde pública. Além de garantir que as gerações futuras possam ter, também, condições de sobrevivência. Assim, por menor que seja o gesto que cada um de nós pratique, ja é um ato de cidadania.
As possíveis atitudes para reduzir o desperdício de água são bem conhecidas de todos, mas não custa serem relembradas:
- Melhor armazenamento e aproveitamento das águas da chuva;
- Fechar a torneira enquanto escovamos os dentes ou nos ensaboamos, no banho;
- Reciclar papel: Sua produção consome muito mais água que sua reciclagem;
- Consertar vazamentos e torneiras pingando;
- Reduzir o desperdício doméstico de água potável e o consumo individual;
- Procurar utilizar detergentes e produtos de limpeza que diminuam a poluição do meio ambiente (biodegradáveis);
- Evitar o despejo de óleo no sistema de esgotos: o óleo de cozinha tem grande capacidade poluente, e pode ser reciclado.
Não são medidas impossíveis de cada um de nós tomar. E, cada um fazendo sua parte, na soma dos esforços teremos uma economia capaz de garantir que este recurso não se esgote em tão pouco tempo.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Campanha Irritoral!
Domingo passado houve debate entre os candidatos à presidência, na TV Record.
Eu me recusei conscientemente a assistir. E, pelos comentários que acompanhei através do Twitter, sei que não perdi nada. Nem mesmo o meu tempo.
Apesar de me considerar anarquista, não prego e nem pratico o voto nulo. Acredito que não é esta a forma de se contruir o anarquismo, e não tenho a esperança de que o anarquismo seja possível a curto e médio prazo.
Mas a campanha eleitoral deste ano está deprimente.
O único debate que assisti foi o primeiro, na Bandeirantes. E achei ridículo, sinceramente. Uma falsa troca de gentilezas, propostas que dificilmente serão cumpridas, promessas falsas de mil maravilhas.
De todos os candidatos, apenas 4 são chamados para o debate, os outros nem mesmo chance de sonhar tem.
Entre Serra e Dilma, não importando a ordem em que se leia, fica a escolha entre o ruim e o pior.
A Marina pareceria uma boa opção, ao menos para uma tentativa de fortalecer o Partido Verde, tentando diminuir um pouco o bipartidarismo de fato que existe no país. Mas a impressão que ela tem transmitido é a de que apenas quer garantir espaço para negociar um cargo no futuro governo, especialmente se este for novamente do PT.
O Plínio já foi um candidato de quem eu ouvi - num passado distante - boas propostas, e em quem cheguei a acreditar. Atualmente, parece estar apenas atirando para todos os lados, contaminado talvez pelo ódio generalizado que o partido parece espalhar.
Quanto aos candidatos a governador, ao menos no estado de São Paulo, nem dá para querer comentar. Não é a toa que o Alckmin aparece disparado - total falta de opção, total falta de propostas.
No Legislativo, o circo está armado de vez. E, apesar de todos os alertas, de todos os avisos sobre o perigo de votar em quem se vê, com certeza o mais votado vai ser mesmo o palhaço...
Sinceramente, considero que este é o pior ano eleitoral que me lembro de ter visto, ao menos desde o fim da ditadura militar.
E, para a minha tristeza, o voto facultativo é apenas um sonho distante...
Eu me recusei conscientemente a assistir. E, pelos comentários que acompanhei através do Twitter, sei que não perdi nada. Nem mesmo o meu tempo.
Apesar de me considerar anarquista, não prego e nem pratico o voto nulo. Acredito que não é esta a forma de se contruir o anarquismo, e não tenho a esperança de que o anarquismo seja possível a curto e médio prazo.
Mas a campanha eleitoral deste ano está deprimente.
O único debate que assisti foi o primeiro, na Bandeirantes. E achei ridículo, sinceramente. Uma falsa troca de gentilezas, propostas que dificilmente serão cumpridas, promessas falsas de mil maravilhas.
De todos os candidatos, apenas 4 são chamados para o debate, os outros nem mesmo chance de sonhar tem.
Entre Serra e Dilma, não importando a ordem em que se leia, fica a escolha entre o ruim e o pior.
A Marina pareceria uma boa opção, ao menos para uma tentativa de fortalecer o Partido Verde, tentando diminuir um pouco o bipartidarismo de fato que existe no país. Mas a impressão que ela tem transmitido é a de que apenas quer garantir espaço para negociar um cargo no futuro governo, especialmente se este for novamente do PT.
O Plínio já foi um candidato de quem eu ouvi - num passado distante - boas propostas, e em quem cheguei a acreditar. Atualmente, parece estar apenas atirando para todos os lados, contaminado talvez pelo ódio generalizado que o partido parece espalhar.
Quanto aos candidatos a governador, ao menos no estado de São Paulo, nem dá para querer comentar. Não é a toa que o Alckmin aparece disparado - total falta de opção, total falta de propostas.
No Legislativo, o circo está armado de vez. E, apesar de todos os alertas, de todos os avisos sobre o perigo de votar em quem se vê, com certeza o mais votado vai ser mesmo o palhaço...
Sinceramente, considero que este é o pior ano eleitoral que me lembro de ter visto, ao menos desde o fim da ditadura militar.
E, para a minha tristeza, o voto facultativo é apenas um sonho distante...

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